Ensino Superior

A importância da Educação Superior à distância no Brasil em tempos de pandemia e o ensino a distância por meio das aulas remotas on-line.

Jéssica Maria Oliveira - jm.oliveeira@gmail.com

A Educação a Distância (EaD) é uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados e veiculados pelos diversos meios de comunicação (MEC, 2003). Os meios de comunicação são os responsáveis pela alteração do conceito de presencialidade do educador (presença física), assim como sua responsabilidade do “ensinar” (LDB). A Educação à Distância possui relevância social, permitindo o acesso daqueles que têm dificuldades em ser inseridos na Educação Superior por residirem distante das universidades, por indisponibilidade de tempo ou até mesmo devido aos horários tradicionais de aula, o que demanda mais tempo do aluno em um curso presencial. A EaD oferece maior vantagem à democratização da educação, rompendo barreiras geográficas, sociais e culturais, provendo a formação sistêmica do conhecimento.

É uma modalidade minimizadora de questões como deslocamento e ativismo, obrigando à presença do educando em um ambiente físico de aprendizagem com carga horária e frequência estabelecida, sendo fator determinante para aprovação. A EAD busca flexibilizar e otimizar o processo de aprendizagem. A tecnologia permite a interação entre instituição e aluno, mas como ela é utilizada, que diferencia o EAD das outras modalidades. O uso da tecnologia é fundamental e, algumas vezes, se torna um desafio. É importante que exista o apoio das instituições de ensino na orientação para o melhor uso dessa tecnologia.

A Educação à Distância foi conceituada no Brasil a partir do Decreto nº 5.622 (Brasil, 2005):

Art. 1º: Para os fins deste Decreto, caracteriza a Educação à Distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

Amparada nessa conceituação, a EAD delineou um papel colaborativo contemporâneo fundamental para a Educação, proporcionando diversos avanços por possibilitar a superação dos limites de espaço e tempo inerentes às formas tradicionais da educação presencial, graças, sobretudo, à utilização de tecnologias de informação e comunicação (TICs) atualmente disponíveis, com destaque para a internet. Foi responsável também por instigar e massificar uma característica edificante na EaD, autoaprendizagem, conforme podemos depreender do que está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, pelo Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998.

A expansão da EAD no Brasil ocorre por meio de políticas que buscavam enfrentar o deficit no número de profissionais docentes da escola básica, e posteriormente, especificamente em cidades distantes. EAD é uma modalidade de ensino, busca promover a inclusão digital, democratizar os conhecimentos e popularizar o acesso ao ensino. O programa "Pró-Licienciatura" do Ministério da Educação foi um dos principais responsáveis pela expansão da EAD no país. Segundo publicação do Ministério da Educação, o programa oferece formação inicial a distância a professores em exercício nos anos/séries finais do ensino fundamental ou ensino médio dos sistemas públicos de ensino.

O Pró-Licenciatura ocorre em parceria com instituições de ensino superior que implementam cursos de licenciatura a distância, com duração igual ou superior à mínima exigida para os cursos presenciais, de forma que o professor-aluno mantenha suas atividades docentes. O objetivo é melhorar a qualidade de ensino na educação básica por meio de formação inicial consistente e contextualizada do professor em sua área de atuação. O programa toma como ponto de partida a ação do professor na escola em que desenvolve seu trabalho, de forma que sua experiência do dia a dia sirva de instrumento de reflexão sobre a prática pedagógica. Ademias, os programas Universidade Aberta do Brasil (UAB) e o PARFOR (Plano Nacional de Formação de Professores) são determinantes no crescimento da EAD no ensino superior brasileiro.

O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006, para "o desenvolvimento da modalidade de educação a distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no País". Além de instituir a modalidade de educação a distância nas instituições públicas de ensino superior, apoia pesquisas em metodologias inovadoras de ensino superior respaldadas em tecnologias de informação e comunicação, e tem como meta contribuir para a Política Nacional de Formação de Professores do Ministério da Educação. O PARFOR promove a formação inicial dos professores do magistério para as redes públicas de educação básica.

A EAD é essencial para que o país continue sua caminhada em direção às metas do Plano Nacional de Educação (PNE) que estabelecem para 2024 o objetivo de alcançar 33% dos jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior. Em um país de dimensões continentais, com um dos menores índices globais de escolarização superior, é fundamental a existência de um sistema educacional hibrido, combinando atividades e cursos presenciais e à distância, que assegure o acesso e permanência do maior número possível de estudantes ao ensino superior, especialmente em um momento de grandes desafios econômicos.

A Educação à Distância não é o mesmo que o ensino remoto. O ensino remoto se tornou a melhor opção para que instituições de ensino público e privado deem continuidade às aulas em tempos de panedmia. O isolamento social, recomendação dos órgãos de saúde pública, levou à suspensão temporária das aulas. Com o intuito de manter as atividades e disciplinas, as instituições recorreram a plataformas virtuais, em um modelo de ensino a distância. A mudança que levou aulas presenciais para um ambiente virtual, uma solução temporária para continuar as atividades pedagógicas, tendo como principal ferramenta a internet. As aulas e atividades remotas são aplicadas pontualmente, basicamente acompanhamos o ensino presencial aplicado em plataformas digitais. O cenário educacional atual vem mostrando cada vez mais a importância das metodolodias ativas em sala de aula, promovendo maior interação entre professor e alunos.

A metodologia ativa se caracteriza pela inter-relação entre educação, cultura, sociedade, política e escola, sendo desenvolvida por meio de métodos ativos e criativos, centrados na atividade do aluno com a intenção de propiciar a aprendizagem. Os alunos participam ativamente do processo de ensino e aprendizagem, valorizando as diferentes formas de aprender, construindo o conhecimento de forma colaborativa, cada um no seu tempo. De acordo com (MORAN, 2018), a aprendizagem é ativa e significativa, exigindo do aprendiz e do professor formas diversas de movimentação, motivação, aplicação e avaliação do que é vivenciado no ambiente escolar. O ato de ensinar e aprender se transforma em momento de co-criação, estimulando a criatividade e a interação entre todos os envolvidos no processo. Atualmente os professores não precisam estar no mesmo ambiente que os alunos para que aconteça a aprendizagem, o professor pode oferecer a oportunidade da auto aprendizagem, assim como em grupos. Ele pode se tornar-se um gestor e orientador de caminhos coletivos e individuais. Um projeto inovador que pode unir da educação presencial e remota, materiais, comunicações escritas, orais, audiovisuais, plataformas e diversos recursos que possam combinar atividades e desafios, provendo ainda mais o engajamento dos estudantes e também dos docentes.

A educação híbrida é um ecossistema mais aberto e criativo, onde podemos ensinar e aprender de inúmeras formas, em todos os momentos, em múltiplos espaços. Tudo pode ser misturado e combinado. O híbrido também permite um currículo mais flexível, que planeje o que é básico e fundamental para todos e que permita, ao mesmo tempo, caminhos personalizados para atender às necessidades de cada aluno. É também a articulação de processos de ensino e aprendizagem mais formais com os informais, integra áreas e profissionais. Podemos citar alguns pontos importantes na educação híbrida, como a ênfase no projeto de vida de cada aluno, com orientação de um mentor; ênfase em valores e competências amplas: de conhecimento e socioemocional; equilíbrio entre as aprendizagens pessoal e grupal, respeito ao ritmo e estilo de aprendizagem de cada aluno combinado com metodologias ativas.

O ensino/educação híbrida pode ser um dos grandes legados deixados pelas aulas remotas, graças à brecha digital que trouxe novas abordagens pedagógicas via uso de tecnologias, muitos alunos conseguiram continuar os estudos em casa. Porém, observando o contexto nacional, é a possibilidade do aumento abismo digital, ou seja, a desigualdade socioeconômica pode crescer ainda mais, tornando o acesso educacional de qualidade mais distante no Brasil. Por isso, é necessário a atuação do poder público e de organizações da sociedade civil em prol de uma educação para todos.


REFERÊNCIAS

BACICH, Lilian; MORAN, José (org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.

BACICH, Lilian; NETO, Adolfo Tanzi; TREVISANI, Fernando de Mello. (org.). Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.